Agronegócio

Aprosoja-MT repudia a fala do candidato Lula que chamou de fascista os produtores rurais

O surgimento do regime totalitário Fascista na Itália representa uma página negra da história da humanidade. Embora na falta de vocabulário ofensivo muitos lancem mão desse termo para atacar aqueles que com suas ideias não coadunam, a utilização indiscriminada da terminologia não altera o que ela de fato representa, mas apenas mera desonestidade argumentativa do emissor.

Uma das características que mais se destacaram no Fascismo foi o absolutismo do Poder do Estado, o que graças à nossa Carta Magna não tem espaço para prosperar, especialmente em virtude do princípio constitucional da liberdade econômica, sob o qual a autonomia privada deve ser privilegiada e a intervenção do Estado mínima. Princípio, a propósito, defendido pela integralidade dos produtores rurais.

Lamentamos profundamente ter que escrever uma nota para repudiar a fala do então candidato a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista ao Jornal Nacional da Rede Globo na noite do último dia 25, que em um lapso de espontaneidade, fez menção desonrosa à parte dos produtores que não aderem ao seu projeto de governo chamando-os de “Fascistas”. Sobre este ataque vil e ofensivo, não há outra coisa a ser dita se não de que repudiamos veementemente e lastimamos que alguém que pense dessa forma sobre o seu próprio povo esteja postulando ao mais alto cargo da República.

Muito embora ao ser interpelado pelos entrevistadores o candidato Lula tenha tentado relativizar o conteúdo desrespeitoso de sua fala, dizendo que se tratava de apenas uma parte do setor, ele sabe muito bem que esse tipo de ofensa recai sobre todos, à medida que a única menção elogiosa ao setor se deu por meio de citação nominal de um mega agricultor, seu amigo pessoal.


O agronegócio foi responsável por manter a economia dos estados aquecida, o aumento da produção de soja e milho, por exemplo, atenuaram os efeitos reflexos da pandemia sobre os preços das proteínas animais: carne bovina, suína e de aves, evitando a catástrofe alimentar que era prevista. Das exportações de commodities agrícolas veio a sustentação da nossa moeda, que naturalmente sentiu os solavancos do mercado global, mas que se manteve firme a ponto de não acompanhar o cenário vivido por nossos países vizinhos, que viram seu poder de compra derreter.

A polarização da sociedade, criada a partir de uma divisão imaginária para dominação de um grupo, em nada contribui para a democracia. Apesar do candidato Lula ter criticado o ódio arraigado na sociedade e pedido que os cidadãos votem com esperança, em apenas 40 minutos ele defendeu a polarização como instrumento da democracia, afirmou que os ataques violentos feitos por seus militantes aos produtores rurais trata-se apenas de briga de torcidas, e dividiu a sociedade chamando a parte que não levanta sua bandeira de Fascista. Sem citar a liberdade de imprensa, tão encorajada em sua entrevista, mas que em seu plano de governo aparece acompanhada do termo “regulação”.
Como associação de classe, conhecida por fomentar o debate e a pluralidade de pensamento dos seus associados, a Aprosoja Mato Grosso talvez possa ajudar o candidato Lula a resolver o enigma que tanto o incomoda: Por que tantos produtores continuam apoiando o Bolsonaro?

Talvez a resposta esteja na consistência dos discursos e não nas benesses prometidas. A defesa da liberdade econômica, do direito de propriedade e a segurança são princípios basilares para aqueles que vivem no campo, independente da cultura que praticam na terra. Tente entender o quão desesperador é para as famílias que vivem nos mais distantes rincões deste país serem constantemente abordadas por criminosos e não terem condições de defender suas vidas. Roubos que quase sempre terminam em morte e traumas que marcam a existência dessas pessoas para a posteridade. Sem empatia não há simpatia, pense nisso.

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