Campus em terra indígena causa polêmica

Da Redação

A ideia do candidato a reitor do IFMT Deiver Teixeira de criar um campus dentro de terra indígena no Araguaia causou polêmica e mostrou a fragilidade da construção do seu plano de gestão. A proposta ganhou repercussão depois do último debate realizado entre os candidatos a reitores.

Professor de história e com pesquisa de doutorado sobre povos indígenas, o candidato Julio Santos  questionou Deiver e afirmou ser contra a proposta por não haver qualquer estudo quanto à legalidade, pela falta de diálogo com os povos indígenas e por ser economicamente inviável diante da crise financeira e corte de gastos para as Universidades e Institutos Federais.

Ao responder sobre como colocaria em prática esse projeto, Deiver afirmou que buscaria recursos junto à bancada parlamentar federal e também iria “estimular a busca de parceria público-privada”. “Nós vamos fazer um campus dentro de uma reserva indígena para que eles se sintam acolhidos. E com docente, com técnicos que realmente sejam, estejam trabalhando e todos sejam da mesma etnia e mesmo grupo. Então diante disso, Julio, é possível fazer e nós vamos fazer. Como nós vamos fazer? Vamos estimular a busca de parceria público-privada. Para isso vamos criar a figura do gestor público administrativo, que não vai trabalhar entre quatro paredes, que vai estar andando campus a campus, trazendo parcerias, fazendo relacionamento com setor produtivo”, respondeu Deiver.

Julio considerou uma grande contradição a ideia de parceria público-privada para a construção de campus dentro de terra indígena. Ele reafirmou seu compromisso com a valorização, preservação e apoio aos povos indígenas, mas disse que outras estratégias são mais eficientes.

“Cada etnia e região indígena possui especificidades e demandas que devem ser respeitadas. Como historiador e professor eu tenho investigado as diferenças entre esses sujeitos e as formas como as fronteiras territoriais e de etnicidade são reconfiguradas. Quero muito a inclusão dos povos indígenas. Minha história, minha trajetória, meu plano de gestão são a maior prova disso. No entanto, essa ideia sem um devido estudo técnico e sem diálogo com os povos indígenas me soa um tanto quanto colonialista”, manifestou Julio.