Agronegócio

Com milho como protagonista, Brasil deverá bater recorde na produção de grãos em 2022

 

Safra 2021/2022 indica uma produção de 271,4 milhões de toneladas. Volume estimado é 6,2% ou 15,9 milhões de toneladas superior ao colhido em 2020/21. Para o milho, a produção estimada é de 114,7 milhões de toneladas


Os indicadores brasileiros para a produção de grãos na safra 2021/2022 apontam para um número recorde. Segundo o 11º Levantamento da Safra de Grãos, produzido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgado neste mês de agosto, as projeções indicam uma produção de 271,4 milhões de toneladas de grãos. O volume estimado é 6,2% superior ao colhido em 2020/2021, o que significa 15,9 milhões de toneladas a mais na produção, que fechou a safra passada com 255,5 milhões de toneladas.
O milho ocupa papel de protagonista no cenário nacional, com produção estimada de 114,7 milhões de toneladas, 31,7% superior ao produzido em 2020/2021. A primeira safra de 2021/2022 está com a colheita sendo finalizada, a segunda está em fase de colheita e a terceira safra teve o plantio finalizado em julho.
Recorde de área semeada
O clima seco e quente registrado em julho favoreceu o avanço da colheita da segunda safra de milho 2021/2022 na maioria das regiões produtoras, passando de 70% da área semeada, que alcançou 16.372,1 mil hectares. A área semeada é 9,2% superior ao da safra 2020/2021 e é a maior área já registrada para o cultivo do cereal.
Com mais de 90% da área já colhida e com a melhor média de produtividade do país, alcançando o rendimento de 6.338 kg/ha, Mato Grosso é o estado mais adiantado nos trabalhos relativos à colheita do milho de segunda safra. A produtividade média esperada para esta safra é de 5.339 kg/ha, 31,8% superior à da safra de 2020/2021.
Outros grãos
A principal colheita de grãos no Brasil vem da soja, com uma produção estimada de 124 milhões de toneladas. A colheita já está concluída e, apesar do enorme volume, houve uma redução de 10,2% na produção, resultado de uma severa estiagem observada no Sul do País no final de 2021.
Além do milho, o algodão e o feijão tiveram aumento na produção levando-se em conta a safra 2020/2021. Para o algodão, a produção estimada é de 2,74 milhões de toneladas, 16% superior à safra passada. A finalização da colheita está prevista para setembro.
O feijão tem produção estimada 3,05 milhões de toneladas, 5,3% superior à safra anterior. Do total, 1.813 mil toneladas são de feijão-comum cores, 576,4 mil toneladas de feijão-comum preto e 656,9 mil toneladas de feijão-caupi. A primeira safra está com a colheita encerrada. A segunda já tem a colheita finalizada, com exceção das áreas irrigadas no oeste da Bahia, e a terceira safra está iniciando a colheita. Para o arroz, a produção está estimada em 10,8 milhões de toneladas e a colheita já está concluída.
Já outros grãos, como aveia, canola, cevada, trigo e triticale (cereal híbrido resultante do cruzamento entre o trigo duro e o centeio) também têm produção recorde. Só para o trigo, a estimativa é de 9,2 milhões de toneladas, sendo que a colheita já foi iniciada no Centro-Oeste.
Outros produtos, como amendoim, gergelim, girassol e mamona, também tiveram aumentos expressivos quando comparados à 2020/2021. O gergelim saltou de 56,7 mil toneladas para 98,1 mil toneladas em 2021/2022, um aumento de 73%. A mamona passou de 27,4 mil toneladas para 43,7 mil toneladas (variação positiva de 59,5%) e o amendoim saltou de 596,9 mil toneladas para 746,7 mil toneladas (25,1% a mais). Já no girassol, a produção na safra passada foi de 36,2 mil toneladas e subiu para 40,8 mil toneladas (12,7% a mais) nesta safra.
Regiões produzem mais
O 11º Levantamento da Safra de Grãos da Conab também mostrou que a produção teve um ganho considerável em quatro das cinco regiões brasileiras. O maior salto foi observado no Nordeste, que na safra 2020/2021 teve uma produção de 23,706 milhões de toneladas. Para a safra 2021/2022, o volume deve saltar para 27,540 milhões de toneladas, uma variação positiva de 16,2%.
O percentual é praticamente o mesmo da Região Centro-Oeste, que saltou de 117,371 milhões de toneladas na safra 2020/2021 para 136,194 milhões na safra 2021/2022, um aumento de 16%.
As Regiões Norte e Sudeste também tiveram ganhos expressivos. A produção no Norte, que na safra 2020/2021 foi de 12,245 milhões de toneladas, subiu para 14,127 milhões de toneladas (+ 15,4%) nesta safra. Já no Sudeste, o ganho foi de 12,7%, com a produção saltando de 24,091 milhões de toneladas para 27,149 milhões de toneladas na safra 2021/2022.
O recorde de produção de grãos da safra 2021/2022 no Brasil teria sido ainda maior se não fossem as variações climáticas. Em novembro do ano passado, quando as áreas das culturas de primeira safra já estavam definidas e as condições do clima vinham ocorrendo dentro dos padrões ideais, previa-se uma produção total de grãos em 291,1 milhões de toneladas, o que corresponderia a um crescimento de 13,9% em relação à safra anterior.

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