Comunidade escolar destaca dedicação e empenho dos professores em ano desafiador

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No ano em que está se exigindo do mundo novas posturas e alterações de planos, os professores precisaram demonstrar flexibilidade, adotando medidas para cumprir o planejamento e o calendário escolar. Na semana em que comemoramos o Dia do professor (15 de outubro), todo o esforço dos educadores para manter o aprendizado dos alunos ganha ainda mais destaque e maior reconhecimento da comunidade escolar.

A homenagem demonstra que a escola, pais e alunos valorizam os profissionais e reconhecem seus esforços diários para transformar crianças e jovens em cidadãos críticos e atuantes na sociedade.

Kemilly Victória de Souza, 17 anos, do 2º ano do EM

Kemilly Victória de Souza, 17 anos, do 2º ano do Ensino Médio, diz que os alunos conseguiram perceber como devem valorizar, cada vez mais, os profissionais da educação. “Eles, mais do que ninguém, tiveram que sair da sua zona de conforto, e se adaptar à tecnologia, aos novos métodos de ensino. A dedicação e paciência dos professores estão sendo de suma importância para nós, já que, muitas vezes, nos sentimos instáveis e eles tentam, ao máximo, nos acolher e ajudar”.

A jovem ressalta ainda a criatividade dos professores como diferencial. “A cada dia, eles tentam buscar meios diferentes e didáticos para melhorar a nossa compreensão e aprendizagem, nos levando a despertar nossa criatividade, desenvolver o trabalho em equipe e ter resiliência”.

De acordo com Kemilly, os educadores mostraram aos alunos que sua capacidade vai muito além do que imaginam. “Não tínhamos noção que conseguíamos fazer diversos trabalhos e aprender tanto estando em casa”, finaliza.

Para o estudante Arthur Botelho, 17 anos, do 3° ano do Ensino Médio, da unidade de Várzea Grande, o ano está sendo de adaptação. “Uma nova experiência. Além da pandemia, muitos alunos se encontraram com dificuldades para assistir as aulas em casa. Mas quem conseguiu lidar com essas mudanças, viu que a educação a distância é um ótimo instrumento de ensino, e que é preciso ter força de vontade e disciplina”.

Segundo ele, o apoio dos professores está sendo essencial. “São eles que estão nos guiando e nos ajudando, estão sempre nos motivando e os alunos aos professores também. Além disso, é preciso ter consciência que mesmo em nossos lares, devermos ter disciplina para manter os horários e assistir às aulas pontualmente”, relata.

Arthur Botelho, 17 anos, do 3° ano do EM

Eliane Aragão Coelho é mãe dos estudantes Carlos Eduardo, de 16 anos, que fez o Ensino Fundamental na unidade de Várzea Grande e, atualmente, está cursando o Ensino Médio em Cuiabá, e da Ana Julia, de 12 anos, que cursa o 7º ano em Várzea Grande. A mãe, que tem licenciatura plena em Letras Português Inglês, exerce a profissão e se diz apaixonada pela educação, acredita na transformação do ser humano, principalmente, em momentos desafiadores como este. “Somos obrigados a buscar além do que podemos imaginar e damos conta”.

Segundo ela, para muitos alunos o incentivo do professor é sua mola propulsora e o contato, muitas vezes, traz a ele acalento e entusiasmo.

No dia a dia, Elaine diz que acompanhar os filhos com as tarefas está sendo um desafio. “Relembro a eles sempre a importância do professor na vida deles e do seu papel enquanto mediador, pois estamos em constante aprendizado. Diante de tantas transformações e velocidade que o mundo caminha, é primordial estender o tapete vermelho para os profissionais da educação, pois são eles os guias desta juventude, muitas vezes desassistidas. Tenho certeza que eles fazem a diferença na vida destas crianças, na figura daquele professor que acreditou no aluno e disse: vai! Você está pronto e eu confio em você! Este mérito é inestimável”, elogia.

Como mãe, Eliane acredita na troca de valores e reconhecimento, já que muito se espera do professor. “Mas nós, enquanto pais, qual nossa parcela? Precisamos acompanhar, dialogar e estar conectado com a instituição. O intelecto de nossos filhos também é filtrado pela nossa participação, apoio e valorização do professor, para que nossos filhos sejam gratos a quem tanto contribuiu em sua formação”.

Heróis anônimos

De acordo com a coordenadora regional de Educação do Sesi Mato Grosso, Cintia Silva, o Dia dos Professores é uma data para refletir sobre a importância deste profissional para a sociedade. Uma profissão que, segundo ela, ainda não é reconhecida e valorizada como deveria e, neste ano de pandemia, demonstrou a sua capacidade de transformação e adaptação para atender e cumprir com sua missão: ensinar.

“A arte de ensinar, neste ano, quando a escola, literalmente, está dentro de casa – e abrangendo nas aulas remotas estudantes, pais, mães, avós, tios – permitiu uma visão diferenciada sobre o trabalho dos professores, que a todo momento estão buscando recursos e estratégias para oferecer aos seus alunos o melhor possível neste contexto de distanciamento social”, avalia.

Para ela, conhecimentos técnicos e tecnológicos aliados a empatia, flexibilidade, adaptabilidade foram fundamentais para que os professores pudessem exercer sua profissão. “Temos uma legião de heróis anônimos que estão assegurando um ano – que não foi perdido, um ano de novos conhecimentos, de novos comportamentos mediados por eles. A vocês mestres, nosso reconhecimento. Uma sociedade se fortalece através da atuação de cidadãos que tiveram professores, ao longo da vida, despertando para autonomia, para a criticidade, para viver e atuar de forma responsável na sociedade”, declara.

Desafios

Com tantos desafios lançados, os educadores precisaram se adequar e conquistar o apoio da comunidade escolar, dos pais e, principalmente, dos estudantes.

Loraine Ferrari Luz, professora com 33 anos de experiência, sendo dois deles na unidade do Sesi Escola Cuiabá, é formada em Letras. Ela ressalta que tem buscado estar atenta ao que o aluno está passando e de como ele está assimilando esse momento. Além disso, ela lembra que a tecnologia tem sido uma grande aliada. “Ferramenta fundamental e não vale a pena ser resistente, temos mais é que nos apoiar nela”.

A falta de atenção e disciplina de alunos em casa também poderia ser um empecilho no processo de ensino aprendizado. Mas, neste aspecto, a professora diz que cabe ao professor buscar estratégias para aproximar do estudante que se sente inibido ou disperso. “Ultimamente, tenho apostado em atividades em duplas, em apresentação de seminário, aulas mais atrativas, entre outros”.

O professor de matemática Wilson Leite da Silva, que atua no mercado há mais de uma década e cerca de dois anos no Sesi Escola, concorda que a maior dificuldade foi se adaptar ao ensino híbrido. Mas lembra que é preciso dedicação, conhecer novos horizontes e abrir a mente para este novo momento. “Adequando, estudando, para a inserção nas aulas. Um universo amplo”.

Wilson opina que o ponto primordial é acolher as angustias dos alunos, já que muitos estão desmotivados e sem liberdade. “É preciso ouvi-los mais. Interagir sempre. O momento também requer união de todos. Um apoiando o outro”.

A base e a presença dos pais também são pontos primordiais apontados pelos educadores. “Os pais, e me incluo neste grupo também, estão se adaptando ao novo sistema de ensino, no qual eles também foram testados. Temos um papel de buscar e aprender um novo jeito de ensinar”, exemplifica Wilson.

Neste misto de sentimentos, os professores se apegam ao amor à profissão e o compromisso de levar a educação a todos os estudantes. “Acredito que toda mudança tem um lado positivo. E o que for bom, eu vou procurar agregar, o que for ruim vou superar e buscar novos desafios”, diz Loraine.

Para Wilson, o sentimento no momento é de dever cumprido, alma lavada por saber que está sempre em mudança e, continuamente, para o melhor. “Olhar para os professores e sentir que somos ainda muito importantes para o crescimento pessoal de um criança e adolescente. Olhar e perceber que conseguimos contornar as adversidades. De se reinventar, descobrir e renascer… 2020 está sendo um ano desafiador e estamos vencendo!”, enfatiza.

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