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Em nota, Cuiabá nega que tenha tomado medidas em conjunto com Governo

Prefeitura de Cuiabá contestou propaganda do Governo, por falar que medidas foram tomadas em conjunto

Da Redação

A prefeitura de Cuiabá publicou uma nota neste sábado (6) chamando o Governo do Estado de “despreparado”, “arrogante”, “antidemocrático”, e outros adjetivos.

A manifestação do Poder Executivo da Capital ocorre em meio às discussões sobre as medidas de contingenciamento para “frear” a escalada do novo coronavírus (Covid-19). O Governo do Estado, além de determinar por decreto restrições mais severas em Mato Grosso, vem patrocinando propagandas na TV informando a população sobre a necessidade de toque de recolher às 21h e fechamento do comércio às 19h, por exemplo.

A prefeitura de Cuiabá – que defende medidas mais flexíveis, chegando até mesmo a publicar um decreto com ações menos restritivas do que o do Governo Estadual -, fez diversas críticas ao Poder Executivo de Mato Grosso, chefiado pelo governador Mauro Mendes (DEM).

“Em nenhum momento a Prefeitura de Cuiabá participou de qualquer diálogo promovido pelo Executivo Estadual para adotar tais medidas emergenciais de combate à disseminação da Covid-19. Trata-se, portanto, de decisão unilateral e antidemocrática”, começa a prefeitura de Cuiabá.

A nota da prefeitura segue defendendo um horário mais flexível do que o proposto pelo Governo do Estado – como o toque de recolher das 23h às 5h -, além de lembrar que recebe pacientes não só de Cuiabá, mas também de Mato Grosso, que procuram tratamento contra o Covid-19 na Capital.

“As ações de saúde municipais embasadas pelo Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 são reforçadas dia a dia, com a inestimável atuação dos nossos profissionais de saúde. Foi esse trabalho incansável que permitiu à capital atender grande número de pacientes de todo o estado, no maior pico de internações registrado no ano passado”, lembrou a nota.

Na avaliação da prefeitura de Cuiabá, o Governo do Estado “desde o início da pandemia deixou patente não ter se preparado” para o avanço do Covid-19, dizendo que o próprio Poder Executivo de Mato Grosso reconheceu um de seus supostos “erros” ao flexibilizar o horário de funcionamento dos supermercados. Inicialmente, o decreto do governador Mauro Mendes determinava o funcionamento destes estabelecimentos comerciais até às 12h aos sábados, porém, uma nova diretriz autorizou o atendimento ao público até às 19h.

“Críticas construtivas e discordâncias dentro do debate democrático, quando bem intencionadas, produzem bons resultados. Tanto é assim que hoje o Governo estendeu os horários de fechamento dos supermercados no sábado e dos restaurantes nos finais de semana. Uma atitude mais sensata diante do caos que poderia ocorrer”.

Ao final, a nota da prefeitura de Cuiabá avalia que o Governo do Estado vem agindo com “arrogância”. “Decisões unilaterais, sem respeitar os preceitos básicos da democracia e os contextos de cada município – que são bastante diversos no nosso estado –, combinam com arrogância, não com solução”.

Íntegra da nota:

Mediante a propagação de informações veiculadas nos informes publicitários do Governo do Estado relativos à pandemia, a prefeitura de Cuiabá esclarece que:

– A referida propaganda induz a população a erro quando se refere a uma decisão conjunta entre o governo, os poderes e as prefeituras estabelecendo novas medidas restritivas no estado;

– Em nenhum momento a Prefeitura de Cuiabá participou de qualquer diálogo promovido pelo Executivo Estadual para adotar tais medidas emergenciais de combate à disseminação da Covid-19. Trata-se, portanto, de decisão unilateral e antidemocrática;

– A prefeitura de Cuiabá defende horário mais elástico para o toque de recolher, das 23h às 5h, com fiscalização mais rigorosa e tolerância zero aos comerciantes que não cumprirem as determinações, além de priorizar abertura de novos leitos e aquisição de vacinas para imunizar toda população;

– A ação irregular de alguns não pode penalizar o conjunto do setor produtivo, que se encontra no limite após o surgimento de uma pandemia que não tem data certa para acabar. A restrição dos horários de funcionamento do comércio pode, inclusive, ser um sério agravante para as aglomerações;

– Desde o primeiro momento, as ações municipais de enfrentamento à pandemia têm se dado de forma planejada e respaldadas tecnicamente, no escopo do Plano Municipal de Contingência Covid-19. E sempre em defesa da saúde e da vida da população.

– A prefeitura entende que, neste momento, quando as informações sobre a Covid-19 estão largamente difundidas, é preciso buscar o maior equilíbrio possível entre as medidas de enfrentamento à doença e as que salvaguardem o direito ao emprego, à renda e à dignidade humana – sobretudo daqueles que precisam trabalhar a cada dia para sobreviver.

– A palavra-chave é harmonizar, contrabalançando duas faces aparentemente divergentes de um mesmo problema. Daí a importância de se ter um plano sério de convivência das atividades econômicas com a doença, robustecido agora com a experiência acumulada no seu enfrentamento.

– As ações de saúde municipais embasadas pelo Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 são reforçadas dia a dia, com a inestimável atuação dos nossos profissionais de saúde. Foi esse trabalho incansável que permitiu à capital atender grande número de pacientes de todo o estado, no maior pico de internações registrado no ano passado.

– Já naquela ocasião ficou evidente a falta de planejamento do Executivo Estadual, que desde o início da pandemia deixou patente não ter se preparado para seu avanço.

– Críticas construtivas e discordâncias dentro do debate democrático, quando bem intencionadas, produzem bons resultados. Tanto é assim que hoje o Governo estendeu os horários de fechamento dos supermercados no sábado e dos restaurantes nos finais de semana. Uma atitude mais sensata diante do caos que poderia ocorrer;

– O caminho mais fácil quase sempre não é o melhor. Agora, as gestões públicas de todo o país têm a responsabilidade de avançar no combate à pandemia com o menor trauma possível àqueles que não possuem qualquer segurança financeira para cuidar de suas famílias.

– Decisões unilaterais, sem respeitar os preceitos básicos da democracia e os contextos de cada município – que são bastante diversos no nosso estado –, combinam com arrogância, não com solução.

 

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