Política

Falta de dados sobre BRT supreende ministro

A GAZETA

Surpreso. Foi assim que o ministro do Desenvolvimento Regional (MDR), Rogério Marinho, recebeu as informações do prefeito Emanuel Pinheiro sobre a troca do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) pelo Bus Rapid Transit (BRT) na Grande Cuiabá. Nas palavras do próprio Emanuel, o ministro desconhecia que o BRT escolhido pelo governador Mauro Mendes (DEM) não possui projeto e também não havia informações sobre a situação atual do VLT. A reunião que ocorreu nesta terça-feira (2) foi solicitada pelo deputado federal Emanuelzinho (PTB) que levou o pai e o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá, Juarez Samaniego a Brasília. Samaniego fez uma explanação técnica sobre as vantagens do VLT em relação ao BRT e tentou argumentar contra a decisão do governo.

Depois de ouvir o grupo pró-VLT, Marinho afirmou que ainda não tomou qualquer decisão sobre o modal e que, de agora em diante, ouvirá também a Prefeitura de Cuiabá. O ministro também determinou que Samaniego envie mais informações sobre o VLT, com detalhes como comparação entre os dois modais, o valor que já foi pago no contrato com o Consórcio VLT, o valor que ainda falta para ser pago, a situação dos vagões, entre outros relatórios que o ministro considera essenciais para aprofundar a discussão.

O ministro também garantiu que a discussão será levada ao Conselho Curador do FGTS. É para lá que deve ficar a decisão final sobre a troca ou não do modal. O ministro é componente do conselho e tem poder de voto. A ideia de Emanuelzinho e do prefeito de Cuiabá é também realizar um convencimento técnico e político, como já foi feito anteriormente pelo governador Mauro Mendes (DEM).

As principais críticas da equipe de Emanuel foram feitas em relação à falta de projeto para o BRT e a ‘distorção’ de informações técnicas no comparativo entre um modal e outro. O grupo de Emanuel cita, por exemplo, que o VLT passa por manutenção a cada 30 anos, enquanto o BRT sofre o procedimento de 10 em 10 anos. “Imagine o sujeito construir uma casa com um orçamento de R$ 200 mil, mas sem projeto nenhum, sem saber quanto vai gastar desse ou daquele material, no final a casa sairá por R$ 500 mil ou mais e não ficará pronta. É este o risco que corremos quando aceitamos trocar um modal que possui projeto por outro que não tem nada”, criticou Juarez Samaniego.

“Vou encaminhar toda a documentação solicitada pelo ministro, mas também vou solicitar ao governo do Estado cópia do projeto do BRT, mesmo sabendo que esse projeto não existe. Não é possível comparar o que não tem projeto com algo que tem projeto, dificilmente o conselho curador do FGTS vai aprovar a mudança sem projeto”, afirmou Samaniego.

A reunião mais próxima do Conselho Curador do FGTS está marcada para o dia 12 de março. Apesar da data próxima, a equipe da prefeitura de Cuiabá acredita que a questão do VLT não deve ser discutida no encontro. O próprio ministro informou que não tem pressa sobre o debate.

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