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Pneumologista alerta sobre uso de cigarro eletrônico e dá dicas para parar de fumar

Mato Grosso tem uma taxa de 15,6 casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmões para cada 100 mil homens, e 7,9 casos entre as mulheres, considerada a mesma proporção. Esses tipos de neoplasias têm como principal fator de risco o cigarro, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Nos homens, os cânceres provocados pelo cigarro são a segunda principal causa de doença com maior incidência, ficando atrás somente do câncer de próstata, enquanto que nas mulheres, é a terceira principal causa, atrás do de mama e colo do útero.

A médica pneumologista Giovanna Figueiredo, que atende no Hospital São Mateus, em Cuiabá, avalia que além do tabagismo convencional (cigarros, charutos e cachimbos),os cigarros eletrônicos se transformaram em vilões da saúde e tem se popularizado, principalmente, entre os mais jovens.

“Muitos veem o cigarro eletrônico como mais “saudável”, mas isso é mito. Devemos desmistificar essa informação e assim orientar a população a evitar o seu consumo. O cigarro eletrônico é proibido pela Anvisa no Brasil, pois não é seguro. Muitos não sabem nem o que está inalando e quais produtos estão sendo utilizados na sua fabricação, consumindo muitas vezes produtos mais tóxicos ainda do que o cigarro convencional”, explica a médica.

A pneumologista alerta que além dos cânceres mais comuns – traqueia, brônquios e pulmão – o cigarro está relacionado como risco para mais de 20 tipos de neoplasias, além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares como infartos e acidente vascular cerebral (AVC), ser a causa de doenças pulmonares como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), enfisema pulmonar, bronquite crônica, e reduz a fertilidade.


“Em relação ao cigarro eletrônico, seus danos quanto ao uso prolongado ainda são pouco conhecidos, visto que seu maior consumo está sendo nesta geração. Porém, já temos visto alguns pacientes com exacerbações de doenças pulmonares, como a asma. Há também a EVALI (E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury), doença pulmonar aguda relacionada ao uso do cigarro eletrônico”, aponta.

Nicotismo é doença

A médica Giovanna Figueiredo explica que a dependência à nicotina é considerada doença, sendo classificada, inclusive pelo Código Internacional de Doenças (CID), que provoca dependência física e psicológica.

Diante da dificuldade que muitos fumantes enfrentam para parar o vício, a especialista enfatiza que o primeiro passo é a vontade e autodeterminação. “Geralmente oriento algumas mudanças dos hábitos no dia-a-dia, como mudar o lugar onde costuma guardar o cigarro, adiar o primeiro cigarro do dia ao máximo que conseguir, evitar bebidas que estimulam o consumo do tabaco (café, bebidas alcoólicas, por exemplo), entre outros. E, após as mudanças, programar uma data para cessar de vez o uso do tabaco”.

A médica reforça que existem medicações que auxiliam no período de cessação do tabagismo e que ajudam no controle da abstinência e ansiedade. “É importante buscar a ajuda de um profissional especializado para orientação, planejamento e prescrição de medicações quando indicado”, pontua.

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