Indústria

Roupas podem ficar mais caras com aumento do preço do algodão

Os preços do algodão saltaram para novas máximas em 10 anos nesta terça-feira (5), juntando-se a uma longa lista de commodities em alta. Os contratos futuros do algodão subiram 4%, para quase US$ 1,09 nos Estados Unidos, o maior nível desde setembro de 2011. A commodity subiu 22% apenas nas últimas duas semanas.

A alta do algodão pode ser repassada aos consumidores na forma de preços mais altos em jeans, camisetas e outras roupas.

Os preços ao consumidor de roupas já estavam subindo e a recuperação dos contratos futuros de algodão pode elevar ainda mais os preços.

Os preços do vestuário subiram 4,2% nos 12 meses encerrados em agosto, de acordo com o relatório de inflação do governo dos Estados Unidos. Os preços aumentaram ainda mais em camisas e suéteres masculinos (4,4%), calças e shorts masculinos (6,6%) e vestidos femininos (11,9%).

Os analistas atribuíram a alta do algodão a vários fatores diferentes, incluindo condições climáticas extremas. Secas e ondas de calor acabaram com as safras de algodão nos Estados Unidos, o maior exportador mundial de algodão.

“É uma situação de escassez. A temporada de plantio não foi muito boa”, disse Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho Securities.

Yawger disse que os traders de Wall Street aumentaram ainda mais os preços do algodão nos últimos dias. “Todos os especuladores começaram a entrar em ação”, disse ele.

Ao mesmo tempo, a demanda tem sido muito forte, especialmente da China. A forte demanda da China pode refletir um efeito colateral da política comercial dos EUA.

Em dezembro de 2020, a administração Trump bloqueou a importação de algodão e produtos de algodão originários da região de Xinjiang, no oeste da China, por empresas norte-americanas devido a preocupações com o trabalho forçado.

Analistas dizem que essas penalidades, que permanecem em vigor durante o governo Biden, fizeram com que algumas empresas chinesas comprassem algodão cultivado nos Estados Unidos, produzissem com ele e depois vendessem os produtos de volta aos Estados Unidos e outros mercados. (CNN)

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